Indústria

Que caminho seguir para chegar a 2050 com uma economia carbono zero no Brasil?

O projeto Brasil Carbono Zero 2050, liderado pelo Observatório do Clima (OC) e Grupo de Trabalho de Infraestrutura (GT Infra), pretende traçar essa rota. A partir de uma rodada de workshops com especialistas, pesquisadores, setores interessados e tomadores de decisão, estamos desenhando de forma colaborativa o passo a passo para chegar a 2050 com emissões líquidas zero na geração de energia elétrica, transportes e indústria. A intenção é promover espaços de diálogos francos e colaborativos para que os desafios para a descarbonização do Brasil sejam identificados e compreendidos, desde os diferentes pontos de vista dos atores-chave de cada setor.

Esse mapa do caminho deverá ser revisto periodicamente, à luz da evolução da política brasileira e dos avanços técnico-científicos e de gestão nos campos do conhecimento, da técnica e dos setores econômicos prioritários para a descarbonização. O projeto Descarbonizar 2050 tem o suporte financeiro da Oak Foundation e contrapartidas do Instituto Clima e Sociedade (iCS). Participaram da construção e desenvolvimento dessa série de workshops, além dos realizadores supra-citados: Instituto Energia e Meio Ambiente (IEMA), Instituto Centro de Vida (ICV), WRI Brasil, ClimaInfo e O Mundo Que Queremos.

Descarbonização 2050: construindo uma matriz energética livre de carbono no Brasil - Setor Indústria

As emissões do setor industrial contribuem na média dos últimos 10 anos com cerca 9% das emissões nacionais. Contando que nos inventários elas são contabilizadas no setor de energia e no setor de processos industriais, as emissões totais da indústria correspondem a mais de 1/3 da soma de todas as emissões da energia e dos processos. A figura abaixo mostra a evolução das emissões combinadas de energia e processos industriais, todas as emissões da indústria, as emissões industriais da queima de combustíveis (energia), as emissões dos processos industriais e apenas a título de complementação, as emissões da geração de energia elétrica.

Dos setores industriais, o grupo formado pela siderurgia, ferroligas, cimento, cal e as indústria químicas respondem quase 2/3 das emissões totais da indústria. Do terço restante, 60% vêm da queima de combustíveis em fornos e caldeiras, mais ou menos 27% são os HFCs emitidos principalmente por aparelhos de ar condicionado de edificações e automóveis que, por determinação da metodologia de inventários do IPCC, são atribuídos aos processos industriais e os 13% restantes vêm dos demais processos industriais. As figuras abaixo ilustram esta divisão:

O workshop com o setor da indústria foi realizado em 2019 e trouxe pontos importantes para a reflexão. Os participantes foram convidados a listar os principais desafios para descarbonizar o setor da indústria até 2050. A lista revelou uma série de questões:

  • elaboração e execução de políticas públicas;
  • falta de regulação;
  • modernização e alinhamento com tendências globais em políticas de energia elétrica e de combustíveis;
  • resistência da indústria;
  • baixo investimento e pouco incentivo para pesquisa tecnológica;
  • custos da descarbonização;
  • subsídios a combustíveis fósseis;
  • lentidão em mudança cultural nas organizações;
  • transição justa para o baixo carbono;
  • crise econômica;
  • falta de planejamento econômico de longo prazo;
  • desconfiança do setor sobre regulação e destinação de recursos;
  • falta de formação e capacitação adequadas;
  • aproximação de indústria e academia;
  • lacuna tecnológica em processos industriais;
  • desinformação e negacionismo;
  • fragmentação entre conhecimento científico, ética e medidas concretas.

Além disso, os convidados foram convidados a avaliar quais as questões são recorrentes há muito tempo e o resultado foi o seguinte:

  • ausência de políticas públicas e regulação;
  • subsídios a combustíveis fósseis;
  • falta de planejamento econômico de longo prazo;
  • lacunas em pesquisa e desenvolvimento;
  • falta de ação ética sobre o clima.