Transporte

Mobilidade Urbana

Os últimos dados sobre emissões do setor de transporte, segundo estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), mostram que, em 2017, o segmento atingiu um nível de 48% das emissões na matriz energética brasileira, totalizando 209 milhões de toneladas de CO2-equivalente jogados na atmosfera. Dessas emissões do transporte, cerca de metade vêm da mobilidade de passageiros. Desta fatia, 78% se referem a transporte individual (carros e motos), e outros 22% a transporte coletivo.

Visto como um ponto essencial em projeções de descarbonização, porém, o transporte coletivo está sofrendo um arrefecimento no país.

A demanda para o transporte público no Brasil tem relação com a qualidade do meio de locomoção, e a falta de prioridade dada ao transporte coletivo tem relação com essa queda de demanda. Dados de GPS colhidos nos ônibus de São Paulo mostram que o excesso de automóveis está reduzindo a velocidade do transporte público, impulsionando um círculo vicioso no qual passageiros recebem estímulo para buscar o carro em detrimento de ônibus ou metrô/trem.

A morosidade do transporte coletivo também tem um impacto direto na emissão de CO2, porque muitos veículos a diesel acabam consumindo muito mais combustível do que o que seria normal para um mesmo trajeto. Sem acesso a meios particulares de transporte, as populações mais pobres são as mais afetadas por esse fenômeno.

O debate sobre emissão de CO2 pode oferecer benefícios indiretos à população, considerando os seguintes fatores:

  • Redução nos acidentes de trânsito
  • Menos congestionamento
  • Redução no custo do transporte
  • Melhora na qualidade do ar

Para que esses benefícios sejam aproveitados, porém, a discussão não pode se dar de maneira compartimentada, mas sim integrada, unindo clima, saúde pública, economia e qualidade de vida. A questão da eletrificação do transporte urbano, que tem ganhado grande terreno, é importante, mas está longe de ser a única a ser debatida, portanto.

As frentes de atuação na transformação do transporte urbano podem se dividir aí em dois tipos:

Evitar

A primeira consideração para otimizar o transporte urbano é avaliar se é possível evitar ou reduzir a necessidade de um deslocamento. Isso pode ser efeito de mudanças no zoneamento, de forma que a residências fiquem mais próximas dos possíveis trabalhos ou serviços. Outros serviços podem ser feitos online. Numa abordagem de planejamento, há muitas circunstâncias em que a necessidade de deslocamento dos cidadãos pode ser evitada com medidas que interfiram no espaço urbano.

Trocar

Outra opção para melhorar o deslocamento urbano é trocar o meio de transporte utilizado. Por isso, o cidadão precisa ter a maior diversidade possível de alternativas, para poder escolher a mais adequada. Políticas públicas podem incentivar os meios de transporte com melhor impacto ambiental e social.

Aprimorar

Numa abordagem de tecnologia, a emissão dos veículos pode ser reduzida por medidas como eletrificação e adoção de biocombustíveis. Noutro exemplo, trajetos de veículos pode se tornar mais racionais com adoção de veículos autônomos.

Tecnologias emergentes como a dos veículos autônomos, porém, ainda possuem escala muito pequena para que se possa prever qual será seu impacto na mobilidade do conjunto de habitantes de uma cidade e no meio ambiente.

A sociedade civil tem muito mais capacidade de interferir em políticas do tipo evitar ou trocar deslocamentos urbanos. E menos capacidade de agir sobre o desenvolvimento das tecnologias necessárias para aprimorar. Uma questão que se coloca é como a questão climática pode ajudar a avançar o debate sobre mobilidade urbana no Brasil, um país onde os avanços desse setor têm sido pontuais e insuficientes.