V CONGEO reúne pesquisadores, lideranças e movimentos sociais para discutir infraestrutura na Amazônia

Cine-debate e oficina promovidos pelo GT Infra e Instituto Madeira Vivo reuniram diferentes vozes para discutir os impactos da infraestrutura de transportes sobre os territórios amazônicos e os desafios da participação social nos processos de planejamento e tomada de decisão. O Grupo de Trabalho Infraestrutura e Justiça Socioambiental (GT Infra) e o Instituto Madeira Vivo (IMV) participaram do V Congresso Brasileiro de Geografia Política, Geopolítica e Gestão do Território (CONGEO), realizado entre os dias 26 e 29 de maio, em Porto Velho (RO). Durante o evento, as organizações promoveram um cine-debate e uma oficina voltados à reflexão sobre os impactos da infraestrutura de transporte, das rotas de integração e dos grandes empreendimentos sobre os territórios amazônicos. As atividades reuniram pesquisadores, estudantes, lideranças indígenas, comunidades tradicionais e representantes de movimentos sociais de diferentes estados da Amazônia. No dia 27 de maio, o cine-debate “Amazônia: Geopolítica e Justiça Socioambiental” utilizou produções audiovisuais como ponto de partida para discutir o histórico de implantação de grandes projetos na região e seus efeitos sobre povos e territórios. O debate destacou como políticas e empreendimentos implementados ao longo das últimas décadas continuam produzindo impactos socioambientais, ao mesmo tempo em que novos projetos avançam sobre a Amazônia sem enfrentar passivos históricos acumulados. Já no dia 28, a oficina “Grandes Projetos de Infraestrutura na Amazônia: Territórios, Direitos Socioambientais e Desafios para Fortalecer a Governança Participativa” debateu temas como BR-319, Arco Norte, hidrovias amazônicas, participação social e consulta livre, prévia e informada. As discussões ressaltaram a necessidade de avaliações integradas dos impactos provocados por rodovias, hidrovias e outros corredores logísticos, além da importância de garantir a participação efetiva das populações afetadas nos processos de planejamento, licenciamento e tomada de decisão. Assista à oficina na íntegra: ▶️ Parte 1: https://youtube.com/live/gfnuLm96TDY ▶️ Parte 2: https://www.youtube.com/live/7zarCwgzGI4  “Foi muito importante estarmos presentes no congresso. Pudemos estabelecer contato com professores, estudantes, lideranças e movimentos sociais de diferentes territórios e ficamos de dar continuidade à troca de conhecimentos e parcerias, mesmo à distância”, afirmou Iremar Ferreira, do GT Infra e do Instituto Madeira Vivo. Além dos debates, as atividades fortaleceram o intercâmbio entre pesquisa acadêmica, movimentos sociais e organizações da sociedade civil que atuam na Amazônia. A participação de estudantes, professores, lideranças indígenas, ribeirinhas e comunitárias permitiu construir reflexões conjuntas sobre os desafios da infraestrutura na região e ampliar articulações para futuras ações de monitoramento, pesquisa e incidência em defesa dos direitos territoriais e da justiça socioambiental. Entre os desdobramentos do encontro está o fortalecimento da parceria entre o GT Infra e pesquisadores que atuam no tema da BR-319. A colaboração com a pesquisadora Aurora Yanai, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), deverá ter continuidade nos próximos meses por meio de novas atividades conjuntas. LEIA TAMBÉM: Demandas socioambientais dos amazônidas devem ser consideradas nos indicadores do novo Plano Nacional de Logística, apontam IEMA, GT Infra e ISA