No ar: Ane Alencar aponta estratégias para mantermos a floresta em pé

Novo episódio do podcast Infraestrutura Sustentável já está disponível Um grupo de mais de 200 cientistas entregou à ONU um alerta, com importantes recomendações, pra parar o desmatamento que precisam ser ouvidas com urgência, pois as consequências da destruição já estão sendo sentidas por todos. Nossa convidada do mais novo episódio do podcast Infraestrutura Sustentável é a Ane Alencar, diretora de ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM). Ela faz parte desse grupo de pesquisadores e conversou com Sérgio Guimarães sobre os caminhos possíveis e as melhores estratégias para para apoiar uma Amazônia viva. O episódio já está disponível no Spotify.
Análise Pré-Leilão Emergencial: Termelétricas fósseis representam 90% do total da capacidade ofertada

Veja o perfil dos projetos cadastrados e possíveis impactos socioambientais Um Leilão Emergencial será realizado na segunda-feira (dia 25 de outubro) para contratar mais usinas geradoras de eletricidade como forma de enfrentar a crise hídrica e endereçar o risco de racionamento. A energia elétrica contratada deverá abastecer o sistema no período entre 1° de maio de 2022 e 31 de dezembro de 2025, ou seja, cobrirá um eventual déficit de energia nos submercados Sul, Sudeste e Centro-Oeste até a entrada de usinas contratadas no leilão de energia nova A-5. Projetos vencedores poderão antecipar a operação dos empreendimentos se os sistemas de transmissão e distribuição de eletricidade estiverem disponíveis. Participam do leilão projetos das fontes eólica, solar fotovoltaica e termelétricas a biomassa, gás natural, óleo combustível e diesel, divididos em produtos I (energia renovável) e produtos II (energia fóssil). Estão cadastrados 972 projetos em um total de 62 GW de potência. Termelétricas a partir de combustíveis fósseis representam 90% do total da capacidade ofertada e 87% do número de projetos, com destaque para o gás natural que responde por dois terços da potência total cadastrada. No total, 58% dos projetos estão situados na região Sudeste, com ênfase para termelétricas a gás em Macaé (RJ). A perspectiva aponta para uma chance maior de contratação de termelétricas, com potencial aumento com relação às emissões de gases de efeito estufa (GEE) no setor elétrico, à emissão de poluentes do ar e na pressão por recursos hídricos. Isso porque a queima de combustíveis em termelétricas, especialmente aqueles de fontes fósseis, emite GEE, além de poluentes como os óxidos de nitrogênio (NOx) que pioram a qualidade do ar e resultam em problemas de saúde à população local. Além disso, dependendo da tecnologia utilizada, essas usinas demandam quantidades importantes de água em seus sistemas de resfriamento, o que pode provocar estresse hídrico nas bacias em que captam água. Dessa maneira, toda expansão de usinas térmicas deve levar em consideração tais impactos socioambientais, sobretudo quando são cumulativos em um mesmo território. Fonte: IEMA Imagem: Pixabay
Websérie “Tapajós: Uma breve história da transformação de um rio”

A produção foi aprovada em 14 festivais nacionais e internacionais e recebeu quatro premiações “Tapajós: uma breve história da transformação de um rio” é uma websérie que se passa em Miritituba, um distrito no Pará que, nos últimos anos, foi transformado em uma plataforma de exportação de soja. A animação é composta por três episódios, e cada um deles é narrado por um morador de Miritituba. Juntos, eles contam histórias de uma Amazônia que vai muito além da grande floresta exuberante de rios caudalosos. A produção audiovisual nasceu a partir do acompanhamento que o Inesc tem realizado sobre o contexto de desmonte das políticas socioambientais e, mais especificamente, sobre o projeto Arco Norte. Este visa a intensificação dos investimentos em logística no norte do país para transformar as bacias hidrográficas amazônicas em corredor de exportação de commodities como soja e milho. Assista: os episódios da websérie podem ser assistido no canal do Youtube do Inesc a partir do dia 20/10. Prêmios A produção foi aprovada em 14 festivais nacionais e internacionais e recebeu quatro premiações. Internacionais London Web Fest (Londres, 2021). Best Animation Festival International du Film documentaire Amazonie-Caraïbes à Saint-Laurent du Maroni – FIFAC (Guiana Francesa, 2021). Melhor web-série Thessaloniki Free Short Festival – TAF (Grécia, 2021) II Mostra Latino-Americana de Filmes Etnográficos (Online, 2021) Nacionais 44° Festival Guarnicê de Cinema (São Luís MA, 2021) RioWebFest (Online, 2021) 11° Festival Internacional de Animação de Pernambuco – ANIMAGE (Online, 2021). Menção Honrosa do Júri. 5º FCM Festival de Cinema de Muriaé (Online, 2021) 14º Dia Internacional da Animação de Goiânia (Online, 2021) 4o Festival de Cinema de Santa Teresa –FECSTA (Online, 2021). Melhor Animação 8º Festival Velho Chico de Cinema Ambiental (Penedo-AL, 2021) 13ª Edição do Prêmio Corvo de Gesso (Jacareí – SP, 2021) Festival de Cinema de Alter do Chão (Online, 2021) Festival de TV e Cinema de Muqui – FECIM (Online, 2021) Sinopse Moradores de Miritituba, uma pequena vila no coração da Amazônia, lutam para sobreviver em meio aos grandes portos de exportação de soja. Fonte: Inesc
Crise hídrica é o preço que pagamos pelo desmatamento

Para especialista do ITA, momento crítico era anunciado. Reverter o problema exige aprender com o passado e pensar em soluções também para o longo prazo Estamos vivendo uma crise hídrica e energética sem precedentes. A bandeira vermelha já virou o “novo normal” e os especialistas não são muito otimistas quanto a possíveis novos aumentos nas contas de luz e racionamentos de água. No entanto, apesar dos constantes alertas sobre a relação inegável dessas crises com o desmatamento, a cada novo levantamento, a área desmatada da Amazônia, maior floresta tropical do mundo, só cresce. Os últimos estudos alertam, inclusive, para o risco de ela virar uma savana. A falta de chuvas é apenas uma consequência disso. “Precisamos lembrar que essa é uma crise anunciada”, afirma o professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Wilson Cabral, que participou do novo episódio do podcast Infraestrutura Sustentável, que voltou a tratar do assunto. O especialista afirma não ter dúvidas de que esse já é o preço que estamos pagando pelo desmatamento. “Eu não diria só da Amazônia, mas a degradação de ecossistemas de forma generalizada”. Ele lembra que a Amazônia é peculiar, porque quando derrubamos a floresta estamos prejudicando também os rios voadores, cuja umidade é distribuída também para outras regiões. “Isso está relacionado com a agricultura, os níveis dos rios, o abastecimento dos reservatórios das hidrelétricas, precipitações, todos os usos possíveis e imagináveis da água”. A agricultura depende da floresta mas, em muitos casos, tem sido a grande vilã do desmatamento, o que Wilson Cabral descreve como “um ciclo vicioso” ou “uma retroalimentação negativa”. Ele explica que à medida que a agricultura avança e o desmatamento também, a atividade cria dificuldades para ela mesma, além de para toda a sociedade. O que podemos fazer para reverter, ou pelo menos não piorar, essa situação num momento em que as mudanças climáticas estão cada vez mais presentes para cobrar essa conta? Antes de responder a essa pergunta, Wilson Cabral diz que é fundamental lembrarmos porque não fizemos algo antes, o que para ele está relacionado ao fato de que, até muito pouco tempo atrás, não se pensava a longo prazo. Assim, como os efeitos do desmatamento não eram sentidos de forma tão imediata, a sociedade foi investindo em modelos de produção e consumo acelerados que nos trouxeram até aqui. “Agora não temos mais tempo a perder e as ações precisam ser emergenciais”, afirma. “O tempo urge e não há mais esse alongamento entre o tempo da causa e do efeito. Como diz a Greta Thunberg, precisamos lembrar que não há planeta B”, completa. Acontece que o que nós fizermos hoje, para o bem ou para o mal, também vai levar um tempo para gerar resultados. Por isso mesmo, Wilson Cabral acredita que precisamos olhar para o longo prazo. Ele exemplifica: estamos vivendo uma crise hídrica que, pela nossa matriz energética ser muito dependente das hidrelétricas, também significa uma crise energética. Para lidar com o problema, o acionamento de termelétricas tem sido considerado uma boa ideia. Mas essa ação tem um efeito de retroalimentação negativo muito importante, pois aumenta o lançamento de carbono na atmosfera, intensificando o impacto climático que ajudou a gerar esses períodos de seca prolongados, que geraram a crise hídrica. Ou seja, precisamos ser mais inteligentes que isso e pensar em soluções que gerem mais co-benefícios e menos impactos sobre o próprio modelo. A transparência na gestão dessas crises é um fato importante nesse contexto. A sociedade precisa saber a gravidade da situação e tudo o que está sendo feito, pois será ela a principal afetada por qualquer decisão. Wilson Cabral destaca que as previsões de precipitações para os próximos meses não são otimistas e medidas para isso já deveriam estar sendo tomadas agora. “Não campanhas para as pessoas tomarem menos banho, mas medidas concretas, inclusive em termos de eficiência energética e redução de consumo por outros atores (como a indústria)”, afirma. Ao mesmo tempo, precisamos investir em soluções que tenham resultados no médio e longo prazo, como fazer a restauração ecológica de bacias hídricas e zerar o desmatamento, não só da Amazônia, mas também de nossos outros biomas. Tudo isso também pede planejamento e integração de agendas, pois todos os atores precisam fazer suas partes. Se não, continuaremos vivendo a crise e contribuindo para agravá-la. Este artigo foi escrito por Alexandre Mansur e Angélica Queiroz e publicado, originalmente, na coluna Ideias Renováveis, da Exame.
No ar: Wilson Cabral fala sobre crise hídrica e energética

Episódio 18 já está disponível As crises hídricas e energética continuam na pauta e tudo indica que a situação pode piorar nos próximos meses. Não é novidade que a falta de chuva é uma consequência direta do desmatamento da maior floresta tropical do mundo, que, por sua vez, só cresce. Pela importância da pauta na vida de todos nós, o episódio 18 do podcast Infraestrutura Sustentável retoma o assunto, dessa vez convidando o professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Wilson Cabral. Segundo o especialista, não há dúvidas que essas eram crises anunciadas e, para lidarmos com esse momento, precisamos parar de pensar apenas no curto prazo. Não deixe de ouvir. Disponível no Spotify e aqui no site.
Chega de financiar o desmatamento com dinheiro público

Lançada hoje (14/10), no Dia Nacional da Pecuária, campanha do Instituto Escolhas convida a sociedade brasileira a olhar para uma questão fundamental: “se já temos terras sobrando para produzir, por que financiar o desmatamento com dinheiro público”? A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, vem afirmando quer o Brasil não depende da Amazônia para produzir e que não precisamos mais desmatar para comer. Suas declarações foram: “não precisamos desmatar para comer, basta aumentar a produtividade”. “Não precisamos da Amazônia. E eu sou uma defensora intransigente de se zerar o desmatamento ilegal”. “No Brasil existem mais de 90 milhões de hectares de pastos degradados e boa parte disso pode ser incorporada à agricultura sem mexer com nada”. Se o país não precisa desmatar para comer, não faz mais sentido financiar o desmatamento com dinheiro público. Por que não apoiamos com recursos públicos (créditos/subsídios/seguro rural) apenas quem produz sem desmatar? É possível zerar o desmatamento – sem impactos na economia – e investir na expansão da produção usando as áreas já abertas para pasto, hoje subutilizadas. Os financiamentos públicos devem ser direcionados apenas para quem produz sem desmatar. Em uma década, os subsídios, por ano, R$ 12,3 bilhões, correspondem a 79% do que foi arrecadado em impostos na cadeia da carne bovina nesse período, R$ 15,1 bilhões. Os números do estudo “Do pasto ao Prato”, do Instituto Escolhas, revelam uma cadeia altamente subsidiada e com alto impacto ambiental. Se houvesse um país chamado Pecuária Brasil, com rebanho que chega a 218,2 milhões de cabeças de gado, segundo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), seria o 20º maior emissor de gases de efeito estufa do mundo, equivalente ao que emite a Inglaterra (462 milhões de t de CO2e). O estudo do Escolhas mostrou que na Amazônia, pressionada em razão da expansão da fronteira agrícola, a conversão de floresta nativa em pasto, provoca emissões de CO2 equivalentes a782 kg por quilo de carne produzida em Roraima e a 713 kg de CO2e/kg (CO2 equivalentes por quilo) no Amazonas. No restante do país, onde há taxas de desmatamento em grandes proporções, a pegada é de 23 kg C02e. Trabalho recente do Imazon mostra que cerca de 90% da área desmatada na Amazônia é ocupada por pastagens. O Instituto Escolhas defende que o apoio do Estado para atividades econômicas esteja condicionado a bons resultados econômicos, sociais e ambientais, e que nenhum setor econômico possafugir dessa avaliação e revisão. Dinheiro público apenas para quem produz sem desmatar. Para se ter uma ideia, “O Banco do Brasil é, de longe, o maior financiador de empresas de commodities com risco de desmatamento no Brasil (30 bilhões de dólares) devido ao seu papel como o maior operador do Crédito Rural”, afirma o relatório “Seu dinheiro está destruindo florestas tropicais ou violando direitos humanos?”, da Forests & Finance. Os dados mostram que “o BNDES foi o maior provedor de investimentos para empresas de risco de desmatamento operando no Brasil (U$ 3.8 bilhões –abril/2020). Mais da metade dos investimentos do BNDES foi direcionada ao setor de carne bovina”. O dinheiro público deve incentivar aumento da produtividade e recuperação de áreas já desmatadas, segundo Sergio Leitão, diretor executivo do Escolhas. Ele afirma que “O governo deve fazer a sua parte e negar financiamento para quem desmata. É o jeito certo de mostrar que o dinheiro público não financia o desmatamento”. Para ele, há bons exemplos na pecuária poque já tem gente produzindo direito, usando áreas que já foram desmatadas e aumentando a produção com respeito ao meio ambiente. E finaliza “O que o Brasil precisa é garantir que esse produtor, principalmente o pequeno, é quem vai receber dinheiro público para produzir”. Não é necessário desmatar para produzir comida. Se não precisa desmatar para produzir, por que financiar o desmatamento com dinheiro público?
Universidade Federal do Pará, Movimento Xingu Vivo e International Rivers promovem evento online e gratuito sobre impactos da mineração nos dias 14 e 15 de outubro

Brasil, 08 de outubro de 2021 – Nos dias 14 e 15 de outubro, a Universidade Federal do Pará recebe o evento online Mineração, Empresas Transnacionais e Povos e Comunidades Tradicionais. Organizado pela Clínica de Direitos Humanos da Amazônia (CIDHA/UFPA), Defensoria Pública do Estado do Pará, Movimento Xingu Vivo, Instituto Socioambiental, Associação Interamericana para a Defesa do Ambiente (AIDA) e International Rivers, o Seminário Internacional irá discutir as atividades mineradoras e seus impactos socioambientais, com foco no projeto de mineração da Belo Sun na Volta Grande do Xingu. O evento contará com a presença de representantes de comunidades locais, de órgãos governamentais envolvidos no licenciamento ambiental, pesquisadores, defensores e promotores públicos. A iniciativa é gratuita sendo transmitida globalmente, e os interessados podem se inscrever até o dia 14 de outubro no site oficial do evento. “Este evento é importante para dar visibilidade aos impactos socioambientais que grandes projetos, como o da mineração na Volta Grande do Xingu, causam na Amazônia, região de riquíssima diversidade social, cujos direitos e modos de vida são desrespeitados em políticas públicas de desenvolvimento e no licenciamento de obras”, conta Elis Araújo, Assessora Jurídica da International Rivers. “O evento será uma oportunidade para a população impactada falar e para que técnicos de órgãos estatais e pesquisadores da academia expliquem as falhas e omissões do licenciamento desta obra”, finaliza. O Projeto Volta Grande do Xingu é liderado pela empresa canadense Belo Sun Mining Corp no município de Altamira, Estado do Pará. A empresa quer instalar o maior projeto de mineração de ouro do Brasil a alguns metros do rio Xingu, território reconhecido por sua biodiversidade e por ser habitado por vários povos indígenas e comunidades tradicionais, já impactados pela construção de Belo Monte. Para a exploração do ouro, o projeto prevê o uso de cianeto no manejo dos minérios – substância extremamente tóxica para o solo e os corpos hídricos, oferecendo um alto risco de contaminação do rio e na qualidade da água. Desde seu início, o projeto tem enfrentado várias ações judiciais por parte do Ministério Público Federal, Ministério Público Estadual, Defensoria Pública do Estado e Defensoria Pública da União. Elas apontam diversas falhas no processo de licenciamento e nos estudos técnicos do projeto, e pedem pela anulação das licenças e pela suspensão do processo de licenciamento. Uma delas resultou em uma decisão judicial, ainda válida, que suspendeu sua Licença de Instalação (LI). O evento contará com uma mesa para tratar das ações judiciais em curso. “O evento contará com a presença de representantes da Nações Unidas, os quais atuam como observadores internacionais buscando informações e recomendações aos Estados para prevenir e reparar violações de direitos humanos”, conta a Profa. Dra. Cristina Terezo, Clínica de Direitos Humanos da Amazônia (CIDHA/UFPA). “O Seminário não é apenas um evento acadêmico, mas visa dar visibilidade a comunidades que foram invisibilizadas no processo do projeto”, conclui. Confira a programação do evento: 14/10/2021 (Quinta-Feira) 14h – Abertura 14h15 – 16h30 – Painel “Impactos socioambientais do ‘Projeto Minerário Volta Grande do Xingu’ e medidas de mitigação e controle” Mediação: Andreia Barreto, Defensoria Pública do Pará, Brasil. Participantes: Idglan Cunha (Cooperativa dos Garimpeiros, Brasil), Carolina Reis (Instituto Socioambiental (ISA), Brasil), Sarah Lima (Núcleo de Pescadores e Guardiões da Volta Grande do Xingu, Brasil), Ingo Wahnfried (Universidade Federal do Amazonas, Brasil) e Steven H. Emerman (Malach Consulting Specializing in Groundwater and Mining, EUA) 15/10/2021 (Sexta-Feira) 09h – 11h – Workshop sobre consulta prévia em tempos de pandemia (exclusivo para convidados) Facilitadora: Profa. Dra. Liana Amin (Universidade Federal da Grande Dourados, Brasil) Organização: Movimento Xingu Vivo para Sempre & Instituto Socioambiental. 14h – 15h30 – Painel “Projetos Minerários e Populações Tradicionais: cenário global” Mediação: Cristina Terezo (Universidade Federal do Pará, Brasil) Participantes: David R. Boyd (Relatoria Especial sobre Direitos Humanos e Meio Ambiente, Canadá), Dante Pesce (Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos, Chile) Dinaman Tuxá (Articulação dos Povos Indígenas, Brasil) 16h – 18h30 – Mesa redonda “Diálogo judicial: intervenção jurídica no Projeto Minerário Volta Grande do Xingu” Mediação: Elis Araújo (International Rivers, Brasil) Participantes: Bia Albuquerque Tiradentes (Defensoria Pública do Estado do Pará, Brasil), Herena Maués (Ministério Público do Estado do Pará, Brasil), Verena Glass (Movimento Xingu Vivo para Sempre, Brasil) Elisângela Machado Côrtes (DPE, Brasil), Thais Santi (Ministério Público Federal, Brasil. Marcella Ribeiro, AIDA, Brasil) O evento emitirá certificado de 10 horas/aula para aqueles que atingirem 75% de frequência.
Participe do Lançamento da nova Plataforma da Qualidade do Ar, realizada pelo IEMA

Live com representantes da OMS, poder público, organizações do terceiro setor debaterá o monitoramento da poluição do ar no Brasil Na próxima quinta-feira, dia 30 de setembro, o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) lançará a nova Plataforma da Qualidade do Ar com novas formas de ver os dados do monitoramento da qualidade do ar no Brasil. O webinar de lançamento terá a participação especial de Priscila Bueno, Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS); Dr. José Leonidas Bellen de Lima, Procurador Regional da República; José Vitor de Resende Aguiar (Zé Vitor), Deputado Federal; Evangelina Vormittag, Instituto Saúde e Sustentabilidade (ISS)/ Coalizão Respirar; representante da Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (Abema); e David Tsai, Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). A abertura será feita por Marcel Martin, Instituto Clima e Sociedade (iCS) e André Luis Ferreira, Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). O lançamento acontecerá no perfil do IEMA no YouTube do IEMA. “O objetivo da Plataforma da Qualidade do Ar é dar apoio à gestão pública da qualidade do ar, gerar informação acessível e fomentar a ciência”, conta David Tsai, coordenador de projetos do IEMA. A poluição atmosférica traz grandes danos à saúde, causando o agravamento de doenças respiratórias, cardiovasculares e neurológicas. Também produz efeitos negativos aos ecossistemas, gerando prejuízos à agricultura e aos ambientes urbanos, podendo contribuir com a poluição das águas e do solo. O monitoramento da qualidade do ar é o primeiro passo da gestão do ar que respiramos. E, infelizmente, o país carece de uma rede básica de monitoramento e de um completo sistema de informação. No Brasil, os estados são responsáveis pelo monitoramento da qualidade do ar, mas, a maior parte deles apresenta dificuldades para gerar, analisar e publicar informações sobre a qualidade do ar. A Plataforma reúne e padroniza os dados de qualidade do ar gerados pelo poder público, sendo uma ferramenta de análise para facilitar a gestão da qualidade do ar pelas autoridades públicas e também leva informação à sociedade e à comunidade científica. Para isso, a equipe do IEMA dialoga com cada instituição gestora da qualidade do ar, firmando parcerias para o compartilhamento de dados, entre elas os Órgãos Estaduais de Meio Ambiente (OEMAs), uma prefeitura e o Ministério do Meio Ambiente. Contribuem com a Plataforma da Qualidade do Ar: Distrito Federal, Estado da Bahia, Estado do Espírito Santo, Estado de Goiás, Estado de Minas Gerais, Estado do Paraná, Estado de São Paulo, Estado do Rio de Janeiro, Estado do Rio Grande do Sul, Prefeitura do Rio de Janeiro, Ministério do Meio Ambiente. Fonte: IEMA
Árvore ameaçada de extinção consegue refúgio em embaixada

Jatobá de seis metros de altura chega a porta de embaixada em mobilização contra o desmatamento e as queimadas no Brasil Por Sônia Guajajara* e Sérgio Guimarães** Enquanto o presidente Jair Bolsonaro discursava na ONU falando inverdades sobre meio ambiente no Brasil e outros temas, um Jatobá de seis metros de altura, espécie brasileira ameaçada de extinção, teve seu pedido de refúgio aceito terça-feira, 21 de setembro (Dia da Árvore) pela Embaixada da Noruega. A iniciativa do Jatobá, que contou com apoio da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), do GT Infraestrutura e que teve a coordenação internacional dos assessores estratégicos Marcus Vinicius Ribeiro e Zachary Kuipers da 4H5H MEDIA, buscou chamar a atenção mundial para a destruição acelerada dos biomas brasileiros, em especial da Floresta Amazônica. Na porta da embaixada, lemos a carta com o pedido de socorro. Depois de várias horas de negociações, o apelo foi aceito e o Jatobá foi replantado no espaço da representação norueguesa. Trata-se de um acolhimento simbólico, mas importante por representar a luta de povos indígenas e ambientalistas, bem como o sentimento da grande maioria da população brasileira pela preservação da nossa floresta e seus povos. Segundo definição do Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (ACNUR), refugiados são aqueles que estão fora de seu país de origem devido a fundados temores de perseguição, como também à grave e generalizada violação de direitos e conflitos. A escolha da Embaixada da Noruega para o pedido de refúgio é por ser esse o primeiro país a proibir o desmatamento. Esse inusitado pedido pode parecer estranho ao homem branco que vive apartado do mundo natural e se considera acima das árvores, mas a ancestralidade sempre ensinou que o sentido da vida é o coletivo e que nós e natureza formamos um todo coeso. Esse pedido é um clamor pela vida de todas as espécies ameaçadas por uma visão corrompida e ultrapassada de convívio com a natureza. As espécies de plantas e animais dos biomas brasileiros, nesta ação representadas pelo Jatobá, estão sob ameaça. Estudo recente publicado na revista científica Nature revela que o fogo na Amazônia, provocado pela ação humana, pode ter atingido 95,5% das espécies de plantas e animais vertebrados conhecidas da floresta tropical. O desmatamento fora de controle aproxima a maior floresta tropical do mundo do seu ponto de não retorno. Se o ritmo atual de devastação for mantido, este “ponto de não retorno” pode chegar nos próximos anos, como vem alertando diversos cientistas brasileiros e internacionais. O inesperado pedido de refúgio mostra a gravidade da situação de milhões de árvores e outras formas de vida que estão sendo exterminadas sem ter a quem recorrer no Brasil, onde autoridades responsáveis por sua proteção muitas vezes estão aliadas aos destruidores. Cabe a nós, cidadãos brasileiros, moradores das florestas, do campo e das cidades nos posicionar com firmeza em defesa dessa e de milhões de árvores em busca de uma solução; o que permitirá que nossas florestas, sua biodiversidade e seus habitantes possam viver em paz no Brasil, continuando a prestar seus relevantes serviços para nós brasileiros e para todo o planeta. A ação visa também retomar as “Cinco Medidas Emergenciais para Combater a Crise do Desmatamento na Amazônia”, proposta apresentada por mais de 60 organizações e coletivos da sociedade brasileira, que incluem, além da moratória do desmatamento, o endurecimento das penas aos crimes ambientais, inclusive o bloqueio de bens dos 100 maiores desmatadores da Amazônia; a retomada do Plano de Controle do Desmatamento da Amazônia que conseguiu reduzir significativamente a devastação ambiental na região, engavetado por Jair Bolsonaro. Também a demarcação de terras indígenas, a titulação de territórios quilombolas e a criação de 10 milhões de hectares em Unidades de Conservação; além da reestruturação do Ibama, ICMBio e Funai, fragilizados pelo atual governo. A íntegra do documento está publicada no site www.arvorerefugiada.com.br e chama para a assinatura de uma petição pelo fim do desmatamento. “Estamos sob ataque de pessoas e estruturas que deveriam nos proteger. Precisamos chamar a atenção para essa tragédia em curso e mobilizar além da sociedade brasileira, a comunidade internacional para reverter essa dramática situação”, disse o Jatobá ao pedir refúgio. Todo nosso apoio a ele e às milhões de arvores e outras formas de vida que estão sendo dizimadas desnecessariamente no Brasil. * Sônia Guajajara, Coordenadora Executiva da APIB – Lider indígena nacional, ativista, ambientalista e pré-candidata à Presidência da República. **Sérgio Guimarães, Secretário Executivo do GT Infraestrutura – Engenheiro, especialista em políticas ambientais e ambientalista. Foto: Sérgio Guimarães