Bancos e sociedade civil precisam conversar para construir infraestrutura com responsabilidade socioambiental

Instituições financeiras precisam estar atentas, melhorar os critérios de salvaguardas e gestão de impactos e melhorar diálogo com comunidades locais Esse foi o tema do quarto encontro público do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros. A recuperação precisa ser verde e os bancos têm papel fundamental nesse processo. Os recursos dessas instituições são fundamentais para viabilizar as estratégias que vão levar a uma economia de baixo carbono e mais inclusiva, não só no Brasil como também nos outros países da América Latina. As tendências de financiamento da infraestrutura foram tema do debate “Renovação Econômica e Responsabilidade Socioambiental de Bancos e outras Instituições Financeiras”, realizado pelo GT Infraestrutura e parceiros nesta quarta-feira (30/9). Moderado pela Assessora Política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), Livi Gerbase, o debate destacou as políticas de salvaguardas e gestão de impactos socioambientais, as mudanças climáticas e objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) e as estratégias alternativas para construir essa nova economia. “A ideia é que não continuemos simplesmente repetindo os padrões de financiamento que aconteceram no passado, porque queremos fazer isso de um jeito melhor”, explicou. Segundo Livi, um projeto de infraestrutura precisa fazer sentido também para o país onde ele está sendo executado e para isso as populações precisam ser ouvidas. “Para que a salvaguarda seja um plano de mitigação dos efeitos negativos e também para gerar impactos positivos”, provocou. Para Carolina Juaneda, Coordenadora para América Latina do Bank Information Center (BIC), a pandemia não alterou muito os planos dos bancos de desenvolvimento para financiar obras de infraestrutura na América Latina. “Seguem existindo os mesmos desafios a nível sistêmico e estrutural”, afirmou. A especialista acredita que o grande desafio é conseguir que os projetos tragam resposta às comunidades que vivem naquele local, especialmente os desenvolvidos no contexto da Covid-19. “Um bom sistema de salvaguarda não podem tratar somente de normativas, mas também de olhar como ele será implementado em toda a sua transversalidade”, opinou. O Diretor Executivo do Derecho, Ambiente y Recursos Naturales (DAR) do Peru, César Gamboa lembrou que o Brasil e outros países da América Latina vivem um desmantelamento de instituições e regulações socioambientais, o que, pode trazer consequências desastrosas para eles. “A resposta com o crédito fácil pode gerar muitos riscos”. Segundo ele, o desafio dos bancos de financiamento é viabilizar investimentos cujos frutos fiquem nesses países. Ele ressaltou, no entanto, alguns avanços nos quais as instituições vêm trabalhando, especialmente no que diz respeito à salvaguarda das populações locais. “A gente precisa entender que esse é um processo”, explicou. Para Paula Nunes, advogada e assessora da Conectas Direitos Humanos destacou que os interesses na forma de estruturação desses projetos, muitas vezes, são antagônicos. Segundo ela, a falta da devida consulta e do consentimento livre, prévio e informado das comunidades é um dos problemas mais sérios. “Principalmente num país como o Brasil que tem comunidades que ocupam as terras há muitos anos e que precisam ser respeitadas em seus processos de escolha”, observou. Para isso, as instituições financeiras que financiam os grandes projetos precisam controlar esses processos, em diálogos com a sociedade civil. “As organizações precisam aproveitar esse espaço e pensar nele como um lugar de facilitação do diálogo entre comunidades atingidas e as instituições financeiras.” Dion Monteiro, do Movimento Xingu Sempre Vivo, ressaltou que, para discutir o financiamento de infraestrutura, é preciso perguntar a quem esses projetos atendem. “É uma infraestrutura para atender à qual modelo? Não adianta o banco adotar critérios se é um projeto de destruição. Porque aí, toda a discussão de salvaguarda não tem efeito”, afirmou. Ele lembrou que a energia gerada por Belo Monte, por exemplo, não serve às comunidades e aos povos que vivem nos arredores da usina. “A discussão precisa levar em conta todos os seres vivos, as pessoas e a natureza”, afirmou. É uma mudança de paradigma necessária para que os projetos façam sentido para todos. Ciclo WebGTInfra O debate é o quarto encontro público do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros. O objetivo é promover reflexões sobre sustentabilidade tendo sempre a infraestrutura como norte.
Papel dos bancos em renovação econômica é tema de webinário

Responsabilidade Socioambiental será centro do debate nesta quarta-feira (30/9) Os especialistas na área são unânimes ao afirmar que a recuperação econômica do Brasil no pós-pandemia precisa ser verde. As maiores potências do mundo já anunciaram publicamente que esse é o caminho pelo qual será construída a economia do futuro. Mas, quais são as tendências de financiamento da infraestrutura e quem são os atores envolvidos? Os bancos de desenvolvimento são fundamentais para viabilizar as estratégias de renovação verde da economia, não só no Brasil como também nos outros países da América Latina. As políticas de salvaguardas e gestão de impactos socioambientais, as mudanças climáticas e objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) e as estratégias alternativas para essa nova economia serão assuntos no webinário “Renovação Econômica e Responsabilidade Socioambiental de Bancos e outras Instituições Financeiras”, realizado pelo GT Infraestrutura e parceiros nesta quarta-feira (30/9), às 16h, via Zoom. As inscrições podem ser feitas até uma hora antes do evento, no link. Convidados O debate será moderado pela Assessora Política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), Livi Gerbase, e os convidados são: César Gamboa, Diretor Executivo, Derecho, Ambiente y Recursos Naturales (DAR) Peru; Carolina Juaneda, Coordenadora para América Latina, Bank Information Center (BIC); Paula Nunes, Conectas Direitos Humanos; Dion Monteiro, Movimento Xingu Sempre Vivo. Ciclo WebGTInfra O debate é o quarto encontro público do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros, pensado para promover reflexões sobre sustentabilidade tendo sempre a infraestrutura como norte. A intenção é que os encontros sempre tratem do assunto priorizando a visão inclusiva das comunidades e populações da Amazônia.
Transição energética justa, inclusiva e de baixo carbono é possível

Para isso, especificidades regionais precisam ser consideradas. Plano Nacional de Energia 20250 está em fase de consulta pública até 13 de outubro Vivemos um momento decisivo para a transição energética no Brasil e temos condições favoráveis para que ela seja justa, inclusiva e de baixo carbono, especialmente no que diz respeito à matéria-prima para a produção de energia limpa. Esse foi o assunto do terceiro encontro aberto do Ciclo WebGTInfra, que teve como tema Plano Nacional de Energia 2050: apontamentos para o desenvolvimento energético regional, realizado nesta quarta-feira (16/9). Elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a partir de diretrizes do pelo Ministério de Minas e Energia, o PNE 2050 está em fase de consulta pública. Esse é o mais importante documento de planejamento de longo prazo do setor no país e conhecê-lo melhor é importante para que a sociedade civil possa participar do debate de forma qualificada. “O plano pode ser entendido como um instrumento vivo, que dialoga com distintas possibilidades e ambientes de incerteza, introduziu a moderadora do evento Alessandra Mathyas, do WWF-Brasil. Para ela, uma visão de longo prazo é algo da maior relevância em momentos como esse, de forma a auxiliar na ancoragem de expectativas.” Thiago Barral, presidente da EPE, explicou para o público como o documento foi construído. “Embora tenha esse nome de plano, ele é muito mais uma estratégia para nos guiar nas decisões do dia-a-dia, com um olhar a longo prazo.” Segundo ele essas definições precisam ser feitas durante a fase de implementação, que é a que estamos vivendo agora. “Não trabalhamos com um único cenário, o que queremos é evitar arrependimentos, fazendo escolhas equivocadas que possam custar caro para a sociedade brasileira”, afirma, explicando que o PNE não crava a matriz final do futuro, mas pontua possibilidades. “O nosso futuro será renovável”, afirmou. “Se queremos desenhar uma estratégia para o país, precisamos saber qual é o objetivo dela”, destacou o presidente da EPE. Thiago elencou os quatro principais objetivos do plano construído: impactos ambientais, desenvolvimento socioeconômico, segurança energética e competitividade. A intenção, segundo ele, é conseguir um equilíbrio entre eles, mapeando as nossas forças, como ter várias possibilidades de energia limpa, mas também nossas vulnerabilidades. Para isso, ele lembrou que governo, empresas e sociedade precisam convergir em torno de questões fundamentais. Que modelo de desenvolvimento é esse? O GT Infraestrutura acredita que essa construção precisa levar em conta as comunidades e, por isso, elas também foram ouvidas nesse encontro. Representante do Comitê Hidrológico Paraná III, Armin Feiden, falou sobre as especificidades da região oeste do Paraná, pontuando os problemas que a região enfrenta para a produção de energia limpa. “O plano é um avanço, mas corremos o risco de que a aplicação dele acabe não atingindo os objetivos”, afirmou. Para ele, sociedade civil e autoridades precisam fiscalizar para que as grandes obras sirvam também para atender às comunidades locais. Josefa de Oliveira Câmara da Silva, do Movimento Xingu Vivo e Conselho Ribeirinho de Belo Monte, contou sobre a experiência de viver em um território que foi escolhido pelo governo para receber uma grande obra. Segundo eles, a usina trouxe grandes impactos para quem vive na região, prejudicando as populações tradicionais, como ribeirinhos, indígenas e pescadores. “Nós não fomos ouvidos. Belo Monte está aí construída, gerando energia para outros estados, mas não para a nossas cidades e comunidades. Que modelo de desenvolvimento é esse? Ele não serve para as populações tradicionais”, ressaltou, lembrando que essas obras expulsam as comunidades de suas casas, matam as espécies e não trazem retorno para essas populações. Cleo Francelino Aquino, também do Conselho Ribeirinho de Belo Monte, mora em uma comunidade que fica a 20 minutos da hidrelétrica e não tem energia elétrica. Segundo ele, que mora na região o alagamento prejudicou suas condições de moradia, fonte de renda e ninguém foi consultado. “Eu mesmo, que sou acostumado a viver no rio, estou morando na cidade”, lamentou. Para ele, é essencial que a voz das populações regionais seja incluída no PNE 2050. A ideia do webinário é ajudar a embasar a elaboração de proposta conjunta à consulta pública e ajude a despertar novos rumos, bem como a devida atenção em torno de modelos, estratégias e políticas sociais adequadas e adaptadas à realidade e ao contexto das comunidades locais. Quem quiser contribuir com a consulta, pode acessar o site do Ministério de Minas e Energia até o dia 13 de outubro. Após a consulta, o documento será encaminhado para a apreciação do Conselho Nacional de Política Energética. Ciclo WebGTInfra O debate faz parte do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros, pensado para promover reflexões sobre sustentabilidade tendo sempre a infraestrutura como norte. Todos os debates da série estão disponíveis e podem ser assistidos a qualquer momento no Youtube GT Infra.
Plano Nacional de Energia 2050 precisa considerar desenvolvimento regional

Webinário vai embasar elaboração de uma proposta conjunta para orientar consulta pública O Plano Nacional de Energia (PNE) 2050 está em fase de consulta pública. O documento é um planejamento de longo prazo do setor energético do país e vai servir como um guia, com orientações governamentais para o futuro e deixam claro para investidores e setores produtivos quais caminhos o país deve seguir. Estamos falando de definições a longo prazo e esse é o momento para discutir como é possível pensar em uma transição energética para o Brasil que seja justa, inclusiva, de baixo carbono e leve em conta as especificidades das populações de cada região. O assunto é tema do próximo webinário do Ciclo WebGTInfra, que será realizado nesta quarta-feira (16/9), às 16h, no canal do Youtube. Elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a partir de diretrizes do pelo Ministério de Minas e Energia, o PNE 2050 precisa ser conhecido e debatido pela sociedade civil. Os efeitos das obras sempre aterrissam em territórios e, em geral, quem vive neles desconhece esses projetos. A ideia do webinário é, portanto, trazer para a EPE preocupações sentidas localmente a partir de grandes obras e pensar possíveis alternativas a esses problemas socioambientais historicamente vividos. A ideia é que esse webinário embase a elaboração de proposta conjunta à consulta pública e ajude a despertar novos rumos, bem como a devida atenção em torno de modelos, estratégias e políticas sociais adequadas e adaptadas à realidade e ao contexto das comunidades locais. Após a consulta, o documento será encaminhado para a apreciação do Conselho Nacional de Política Energética. Convidados O debate será mediado por Alessandra Mathyas, do WWF-Brasil, e participarão os seguintes convidados: Thiago Barral, presidente da EPE; Armin Feiden, do Comitê Hidrológico Paraná III; Josefa de Oliveira Câmara da Silva, do Movimento Xingu Vivo e Conselho Ribeirinho de Belo Monte; e Cleo Francelino Aquino, também do Conselho Ribeirinho de Belo Monte. Assim, além da visão técnica, o webinário pretende ser um espaço que dê destaque às preocupações das comunidades que vivem nos territórios que sofrerão os impactos dessa política. Ciclo WebGTInfra O debate é o terceiro público do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros, pensado para promover reflexões sobre sustentabilidade tendo sempre a infraestrutura como norte. A intenção é que os encontros sempre tratem do assunto priorizando a visão inclusiva das comunidades e populações da Amazônia. SERVIÇO O que: Ciclo WebGTInfra: Plano Nacional de Energia 2050: apontamentos para o desenvolvimento energético regional Quando: 16/9, 16h Onde: Youtube GT Infra Inscrições: no link
Pandemia precisa ser oportunidade para construir política de saúde na Amazônia

Especialistas ressaltam urgência de investimento em políticas sociais na região A saúde precisa estar no centro do debate para o desenvolvimento regional e a pandemia evidenciou o abismo infraestrutural da Amazônia em relação às outras do país. No Amazonas, 1º estado do país a colapsar e com número de casos crescente, o desafio da saúde ainda maior e discutir as causas e saídas para o problema foi o foco do debate no webinar “Sem social não tem ambiental: Saúde, Saneamento e as Políticas Sociais para o Desenvolvimento Regional”, realizado pelo GT Infraestrutura e parceiros, e moderado pela cantora e ativista do Tapajós,Cristina Caetano, no dia 2 de setembro. “Eu sempre disse que o apocalipse contemporâneo seria a pandemia, porque estamos gerando isso”, afirmou Eugênio Scannavino, que é médico e fundador do Projeto Saúde e Alegria. Segundo ele, a própria pandemia é consequência da forma como criamos animais e utilizamos agrotóxicos, por exemplo. “Nós estamos brincando de deus e de industrializar a natureza uma maneira arrogante e prepotente, que a gente chama de desenvolvimento”. Ele lembrou que existem outras alternativas de produção, como a agrofloresta, que respeita a natureza em seus processos, e que, neste momento, temos um alerta para olhar para o modelo de desenvolvimento que queremos. “Foi preciso uma pandemia para que as pessoas descobrissem que saúde é floresta porque sem saúde não tem floresta”, afirmou. O professor sênior da Faculdade de Medicina da USP, Marcos Boulos, também ressaltou que as pandemias não vêm do nada, mas da natureza e da forma como nos relacionamos com ela. Ele explicou sobre o comportamento do vírus e criticou o fato de o isolamento no Brasil não ter sido feito de maneira adequada. “O lockdown era fundamental para controlarmos a epidemia, o que não aconteceu, prolongando o problema.” O especialista, que trabalha na Amazônia desde a década de 70, manifestou a sua preocupação com a doença se espalhando para o interior da floresta e lembrou que o problema precisa ser olhado pelos governos com mais atenção. Soluções precisam olhar para as diferenças Eugênio Scannavino destacou que quando falamos de Amazônia precisamos olhar para as especificidades da região. “Em algumas cidades, a prefeitura disponibilizou exame drive thru, mas as pessoas não têm carro”, exemplificou. Ele contou que, como estratégias para minimizar o impacto da pandemia na região, o Saúde e Alegria mobilizou costureiras para fazer máscaras e conseguiu recursos para que o barco hospital, que atende no Rio Tapajós, prestasse atendimento aos infectados pelo Covid-19. Além disso, o projeto tem apoiado os profissionais da linha de frente, distribuindo kits de higiene e proteção familiar em larga escala, para evitar que mais pessoas sejam contaminadas. Para Eugênio, a estratégia agora precisa ser pensar no pós-pandemia, em condições estruturantes e institucionalizadas de saúde de maneira permanente. Marcos Boulos explicou que a economia também fica doente se a gente não investe em saúde. “A saúde é fundamental e tem que ser vista como tal porque pessoas precisam estar bem para tocar projetos”. O especialista também destacou que não devemos depositar as nossas expectativas somente na vacina, porque nenhuma vacina para vírus respiratório resolve o problema totalmente. “É necessário estabelecer uma política organizada para melhorar a assistência em lugares como a região do Tapajós, aparelhando os serviços de saúde”, concluiu. O debate completo pode ser acessado no canal do GT Infraestrutura no Youtube. Ciclo WebGTInfra O é o segundo para o público do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros, para promover reflexões sobre sustentabilidade tendo sempre a infraestrutura como norte. A intenção é que os encontros sempre tratem do assunto priorizando a visão inclusiva das comunidades e populações da Amazônia. Foto: Saúde e Alegria
Webinário discute saúde, saneamento e políticas para desenvolvimento regional no Tapajós

Encontro será transmitido nesta quarta-feira, às 16h, pelo Youtube do GT Infraestrutura A pandemia do coronavírus endossou o debate em torno da necessidade de um modelo de desenvolvimento socioeconômico que priorize o patrimônio ambiental e social brasileiro. Pensando nisso e nos caminhos para a retomada econômica depois que a pandemia passar, o GT Infraestrutura lançou uma série de encontros online, o Ciclo WebGTInfra: Renovação Verde da Economia e Infraestrutura na Pós-Pandemia: oportunidades, riscos e desafios. O segundo encontro aberto da série, que será realizado no próximo dia 02/09, às 16h (horário de Brasília), terá como tema “Sem social não tem ambiental: Saúde, Saneamento e as Políticas Sociais para o Desenvolvimento Regional” com foco na região do Rio Tapajós. Diante de custos logísticos superiores a qualquer outra região do país, a conta jamais vai fechar sem a soma de esforços entre governos e instituições, bem como estratégias diferenciadas para que os serviços assistenciais alcancem principalmente as zonas mais remotas, com indicadores sociais bastante inferiores à média nacional. Por entender que, sem respostas às mazelas sociais da Amazônia, jamais vai se encaminhar soluções mais efetivas no enfrentamento também das mazelas ambientais (desmatamento, exploração predatória, contaminação dos rios, etc), tampouco caminhos para o dito Desenvolvimento Regional Sustentável, vimos propor essa reflexão como um dos debates para a série de Webinários do Tapajós. A partir das lições apreendidas com os impactos da pandemia de covid-19 na região, espera-se que essa reflexão possa despertar novos rumos, bem como a devida atenção em torno de modelos, estratégias e politicas sociais adequadas e adaptadas à realidade e ao contexto amazônico. SERVIÇO “Sem social não tem ambiental: Saúde, Saneamento e as Políticas Sociais para o Desenvolvimento Regional” . Data e hora: 02/09, às 16h (horário de Brasília). Palestrantes convidados: – Cristina Caetano, cantora e ativista local – Eugênio Scannavino é médico e fundador do Projeto Saúde e Alegria – PSA – Marcos Boulos, livre docente da USP em doenças infecciosas. Inscrições aqui.
Webinário discute desafios e caminhos para repensar projetos de infraestrutura

Infraestrutura tem papel fundamental para uma renovação econômica verde Repensar conceitos e estratégias é um dos maiores desafios para que o mundo consiga caminhar para uma recuperação que seja sustentável e inclusiva no pós-pandemia. Por onde começar? Ailton Krenak, Ricardo Abramovay e Diana Aguiar nos ajudam a pensar em caminhos, durante o webinar “Renovação Verde da Economia e Infraestrutura na Pós-Pandemia: oportunidades, riscos e desafios”, que acontece nesta quarta-feira (19/8) às 16h. Para os convidados, a infraestrutura é um ponto fundamental para que uma recuperação verde aconteça, mas é preciso olhar para ela de outra forma. Os convidados Ricardo Abramovay é professor do Programa de Ciência Ambiental Instituto de Energia e Ambiente da USP e em seu mais recente livro “Amazônia, por uma economia do conhecimento da natureza”, ressalta que o desmatamento não traz crescimento econômico e nem qualidade de vida para quem vive na floresta. Para ele, é possível unir economia, ética, sociedade e natureza. Diana Aguiar é Doutora em Planejamento Urbano e Regional e Assessora da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado. Entre os assuntos nos quais é referência, está a trajetória histórica de grandes obras de infraestrutura inseridas em modelos de ‘desenvolvimento’ e ‘neoextrativismo’ de commodities voltados para mercados globais, com destaque para seus elevadíssimos custos sociais e ambientais. Ailton Krenak é líder indígena, ambientalista e escritor. Ele pensa a infraestrutura de uma forma diferente, dentro do conceito de Bem-Viver, cujas origens remontam a culturas indígenas milenares e lutas contra modelos predatórios de crescimento econômico na América Latina. Em um de seus livros de maior sucesso, “Ideias para Adiar o Fim do Mundo”, ele discorre sobre ideias para que a sociedade consiga mudar sua relação com a natureza. Ciclo WebGTInfra O debate inaugura para o público o Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros, pensado para promover reflexões sobre sustentabilidade tendo sempre a infraestrutura como norte. A intenção é que os encontros sempre tratem do assunto priorizando a visão inclusiva das comunidades e populações da Amazônia. SERVIÇO O que: Ciclo WebGTInfra: Renovação Verde da Economia e Infraestrutura na Pós-Pandemia: oportunidades, riscos e desafios Quando: 19/8, 16h Onde: via Zoom (link a ser enviado na data do evento) Inscrições: encurtador.com.br/kmT03
Entidades propõem moratória ao desmatamento na Amazônia

Medida integra pacote de cinco ações emergenciais para conter a crise da devastação, que ruma para nova alta recorde em 2020. Mais de 60 organizações e coletivos da sociedade civil entregaram nesta quinta-feira (6/8) aos presidentes da Câmara e do Senado, a investidores estrangeiros e a parlamentares brasileiros e europeus uma carta com cinco propostas emergenciais para conter a crise do desmatamento na Amazônia. Uma das medidas é o estabelecimento de uma moratória de pelo menos cinco anos ao corte da floresta. A devastação em 2020 já é a maior desde o início da série de alertas do sistema de monitoramento por satélite Deter B, do Inpe, e pode vir a ser a maior desde 2006. A explosão do corte raso e das ameaças aos povos indígenas no governo Bolsonaro fizeram investidores estrangeiros ameaçarem retirar investimentos do país. Na carta, as organizações lembram que o Brasil, no começo do século, conseguiu reduzir a taxa de desmatamento e ao mesmo tempo ampliar a produção agropecuária e o PIB. “O atual governo, porém, não apresenta qualquer resquício de interesse ou capacidade em seguir este caminho”, afirma o documento. “Suas ações baseiam-se em medidas falaciosas e campanhas publicitárias que tentam mascarar a realidade. Mesmo o envio de forças militares para a Amazônia tem sido pouco eficaz.” As cinco medidas emergenciais propostas incluem, além da moratória ao desmate, o endurecimento das penas aos crimes ambientais, inclusive o bloqueio de bens dos cem maiores desmatadores da Amazônia; a retomada imediata do PPCDAm — o plano de controle do desmatamento que vigorou por cinco mandatos presidenciais até ser engavetado por Jair Bolsonaro; a demarcação de terras indígenas, a titulação de territórios quilombolas e criação de 10 milhões de hectares em unidades de conservação; e a reestruturação do Ibama, do ICMBio e da Funai, desarticulados e aparelhados pelo atual governo. A moratória ao desmatamento comporta exceções: atividades de subsistência de populações tradicionais, agricultura familiar e planos de manejo sustentável de madeira, por exemplo, ainda seriam admitidos. “Todas as medidas elencadas na carta são factíveis. Algumas delas são inclusive obrigações constitucionais, que o governo não está cumprindo”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, uma das redes signatárias. “O objetivo é resolver uma situação aguda na qual o paciente — no caso, a Amazônia — está sob risco de vida para depois discutirmos as medidas estruturantes que permitirão a recuperação do doente. Algumas delas, aliás, já constavam no plano de prevenção e controle do desmatamento enterrado pelo governo Bolsonaro.” O documento está disponível em português e em inglês. Sobre o Observatório do Clima: rede formada em 2002, composta por 52 organizações não governamentais e movimentos sociais. Atua para o progresso do diálogo, das políticas públicas e processos de tomada de decisão sobre mudanças climáticas no país e globalmente. Site: www.observatoriodoclima.eco.br. Informações para imprensa: Solange A. Barreira – P&B Comunicação [email protected] + 55 11 9 8108-7272
Ambientalistas cobram do BNDES liberação de recursos dos Fundos Amazônia e Clima

Mais de 50 organizações da sociedade civil, entre elas o GT Infraestrutura, assinaram um manifesto pedindo ao BNDES que libere mais de R$ 2 bilhões em recursos de fundos administrados pelo banco para o financiamento do combate aos efeitos da pandemia, ao desmatamento e às queimadas. Os recursos estão paralisados nos Fundo Amazônia, Fundo Clima e Fundo Social. “Uma gravíssima recessão econômica associada à falta de uma estratégia consistente do governo federal para o enfrentamento da pandemia de COVID-19, combinada a incentivos governamentais à grilagem de terras e à impunidade de crimes ambientais, bem como o ataque sistemático aos Direitos Humanos no Brasil, configuram um cenário de pesadelo para toda a sociedade brasileira, na mesma medida em que gera insegurança jurídica e fragiliza o ambiente de negócios, inclusive para investimentos internacionais”, diz a carta. Para que isso seja evitado, os signatários defendem que o BNDES seja ativo na retomada da aplicação dos recursos dos fundos socioambientais sob sua responsabilidade, com maior agilidade na liberação dos recursos e na consolidação das políticas de transparência, participação social e salvaguardas. O documento também defende que o banco crie critérios que dificultem o acesso ao crédito por desmatadores. Pressionado, mas sem responder às reais demandas das organizações, Salles liberou R$ 350 milhões do Fundo Clima para financiamento de projetos empresariais ligados à redução de emissões de carbono e à adaptação à mudança do clima. De acordo com o ministro, os recursos deverão beneficiar “notadamente aqueles que têm correlação com saneamento e gestão de resíduos sólidos, que é uma agenda de qualidade ambiental urbana, aliada às mudanças climáticas”. Estadão e O Globo destacaram a manifestação das organizações socioambientais ao BNDES. Matéria do site do ClimaInfo, 5 de agosto de 2020.