Ciclo WebGTInfra coloca infraestrutura no centro do debate

Existe uma lacuna no debate sobre infraestrutura na Amazônia. A quem essas grandes obras atendem? A que custo? Essas são algumas das perguntas respondidas na série de webinários Ciclo WebGTInfra, realizado junto com parceiros, desde o dia 13 de agosto. Produzir reflexões sobre essa infraestrutura a partir da visão inclusiva das comunidades e populações da Amazônia está entre as prioridades do GT Infraestrutura este ano. A intenção é contribuir para a melhoria das respostas à pandemia e para a recuperação econômica do país, priorizando temas que ajudem na construção de uma infraestrutura mais sustentável. Já foram realizados seis encontros e outros estão previstos até o mês de novembro. Perdeu algum deles? É possível assistir no canal do GT Infraestrutura no Youtube. Projetos de Infraestrutura de Transportes na Amazônia Propostas do Governo Federal Renovação Econômica e Infraestrutura na Pós-Pandemia: Repensando Conceitos e Estratégias Saúde, Saneamento e as Políticas Sociais para o Desenvolvimento Regional Plano Nacional de Energia 2050: Apontamentos para o Desenvolvimento Energético Regional Oportunidades de incidência na política e no planejamento durante o processo decisório Renovação Econômica e Responsabilidade Socioambiental de Bancos e outras Instituições Financeiras

Pela primeira vez na história, uma árvore pede refúgio e expõe drama de espécies nativas ameaçadas  

Árvore ameaçada de extinção pede refúgio em embaixadas de países com representação no Brasil e dispara mobilização contra a aceleração do desmatamento São Paulo, 10 de outubro 2020 – Um pedido insólito foi feito na abertura do evento 24 horas de Realidade: Contagem Regressiva para o Futuro, realizado hoje, 10/10, pela Climate Reality Project, e ganhou as redes. Um jatobá, espécie ameaçada de extinção, pediu refúgio em representações de países estrangeiros por sentir-se ameaçada em seu território de origem. Em um filme a árvore denuncia risco de vida diante da devastação e exploração descontrolada das florestas no Brasil, com aumento constante de desmatamento e intensificação das queimadas que destroem biomas inteiros. Segundo definição do Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (ACNUR), refugiados estão fora de seu país de origem devido a fundados temores de perseguição, como também devido à grave e generalizada violação de direitos e conflitos. As árvores da Amazônia, e também de outros biomas brasileiros, no filme representadas por um Jatobá, estão sob ameaça. A ação deve mobilizar a opinião pública mundial sobre a aceleração das agressões à maior floresta tropical do mundo, assim como a necessidade de fortalecer o manejo sustentável na região. Além do apoio da Climate Reality Brasil, organização com o objetivo de informar a sociedade sobre os efeitos das mudanças climáticas no planeta, a ação tem o apoio do GT Infraestrutura e Justiça Socioambiental, grupo de trabalho com 40 organizações socioambientais com atuação conjunta com organizações locais e do Engajamundo, uma rede de jovens que promove o engajamento político como meio de transformação da realidade. 5 Medidas O objetivo deste pedido de refúgio é chamar a atenção para as “5 Medidas Emergenciais para Combater a Crise do Desmatamento da Amazônia” formuladas por cientistas e entidades que atuam no território. A integra do documento está publicada no site www.arvorerefugiada.com.br e chama para a assinatura de uma petição com o intuito de suspender todo o desmatamento durante os próximos 5 anos. “Nosso meio ambiente está sob ataque de pessoas e estruturas que deveriam protegê-lo. Precisamos chamar a atenção para essa tragédia em curso, e mobilizar muito além da comunidade internacional para reverter esse cenário”, disse Renata Moraes, gerente do Climate Reality Brasil. “Esse inusitado pedido de refúgio mostra a gravidade da situação de milhões de árvores e outras formas de vida que estão sendo exterminadas sem ter a quem recorrer no Brasil, onde autoridades responsáveis por sua proteção muitas vezes estão aliadas aos destruidores. Cabe a nós, cidadãos, nos posicionarmos em defesa dessa e de milhões de árvores em busca de uma solução, que começa pela implementação da “5 medidas emergenciais de combate ao desmatamento”; o que permitirá que milhões de árvores, nossas florestas e seus habitantes possam viver em paz no Brasil, prestando seus relevantes serviços climáticos para nós e à todo o planeta”, afirmou Sérgio Guimarães, Secretário Executivo do GT Infraestrutura. A organização de jovens Engajamundo salienta a importância da ação: “A Amazônia pede socorro há anos. O pedido de refúgio desta árvore ameaçada de extinção simboliza não somente a sobrevivência deste e outros seres vivos que são essenciais para a vida no planeta, mas também dos muitos povos indígenas, ribeirinhos, quilombolas, entre tantos outros que vivem na Amazônia e que lutam para proteger a floresta e seus territórios. Esta ação traz a necessidade e a urgência da mobilização em prol da preservação das nossas florestas, a nível nacional e internacional, e do fortalecimento da luta de seus povos originários e tradicionais que mantém uma relação sustentável com a Amazônia”. “Árvores são seres vivos e essa é uma ação dramática para chamar a atenção do mundo para o extermínio sistemático das nossas espécies. Precisamos avançar para uma política de desmatamento zero a curto prazo e sermos intransigentes na luta contra a depredação dos nossos biomas”, enfatizou Edson Vidal, professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ).

Vídeo sobre consulta e consentimento de povos indígenas será lançado nesta quinta

Será lançado, no dia 8 de outubro, a partir das 11 horas (Brasília), o vídeo “Protocolos de Consulta: Instrumento para a Defesa de Territórios e Direitos”. O vídeo conta a história de uma iniciativa que surgiu dentro do movimento dos povos indígenas para defender o direito a consulta e consentimento, livre, prévio e informado sobre políticas e projetos que afetam seus territórios e vidas. O trabalho traz depoimentos de lideranças de povos indígenas, quilombolas e ribeirinhos, sobre surgimento dos protocolos autônomos de consulta, sua base legal e lições na sua elaboração e implementação, inclusive conquistas importantes para evitar projetos destrutivos. Estarão disponíveis versões em espanhol e inglês, além do original em português. O lançamento do vídeo nos três idiomas será realizado na plataforma Zoom, com streaming da versão em português pelo canal de Youtube da International Rivers. Durante o lançamento, será realizado um bate papo com lideranças de movimentos que participaram do vídeo e outros convidados especiais com tradução simultânea em espanhol e inglês. Faça a sua inscrição no Zoom (vagas limitadas). Audiência temática na CIDH Também está sendo articulada uma audiência temática regional da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) no dia 9 de outubro, às 9hs de Washington, D.C. (10hs Brasília) sobre a situação de implementação do direito a consulta livre, prévia e informada no Brasil, Peru e México. Haverá transmissão da audiência ao vivo pelas redes sociais da CIDH (Twitter: @CIDH) e acompanhamento através do hashtag #CIDHAudiencias. Mais informações no link.

Bancos e sociedade civil precisam conversar para construir infraestrutura com responsabilidade socioambiental

Instituições financeiras precisam estar atentas, melhorar os critérios de salvaguardas e gestão de impactos e melhorar diálogo com comunidades locais Esse foi o tema do quarto encontro público do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros. A recuperação precisa ser verde e os bancos têm papel fundamental nesse processo. Os recursos dessas instituições são fundamentais para viabilizar as estratégias que vão levar a uma economia de baixo carbono e mais inclusiva, não só no Brasil como também nos outros países da América Latina. As tendências de financiamento da infraestrutura foram tema do debate “Renovação Econômica e Responsabilidade Socioambiental de Bancos e outras Instituições Financeiras”, realizado pelo GT Infraestrutura e parceiros nesta quarta-feira (30/9). Moderado pela Assessora Política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), Livi Gerbase, o debate destacou as políticas de salvaguardas e gestão de impactos socioambientais, as mudanças climáticas e objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) e as estratégias alternativas para construir essa nova economia. “A ideia é que não continuemos simplesmente repetindo os padrões de financiamento que aconteceram no passado, porque queremos fazer isso de um jeito melhor”, explicou. Segundo Livi, um projeto de infraestrutura precisa fazer sentido também para o país onde ele está sendo executado e para isso as populações precisam ser ouvidas. “Para que a salvaguarda seja um plano de mitigação dos efeitos negativos e também para gerar impactos positivos”, provocou. Para Carolina Juaneda, Coordenadora para América Latina do Bank Information Center (BIC), a pandemia não alterou muito os planos dos bancos de desenvolvimento para financiar obras de infraestrutura na América Latina. “Seguem existindo os mesmos desafios a nível sistêmico e estrutural”, afirmou. A especialista acredita que o grande desafio é conseguir que os projetos tragam resposta às comunidades que vivem naquele local, especialmente os desenvolvidos no contexto da Covid-19. “Um bom sistema de salvaguarda não podem tratar somente de normativas, mas também de olhar como ele será implementado em toda a sua transversalidade”, opinou. O Diretor Executivo do Derecho, Ambiente y Recursos Naturales (DAR) do Peru, César Gamboa lembrou que o Brasil e outros países da América Latina vivem um desmantelamento de instituições e regulações socioambientais, o que, pode trazer consequências desastrosas para eles. “A resposta com o crédito fácil pode gerar muitos riscos”. Segundo ele, o desafio dos bancos de financiamento é viabilizar investimentos cujos frutos fiquem nesses países. Ele ressaltou, no entanto, alguns avanços nos quais as instituições vêm trabalhando, especialmente no que diz respeito à salvaguarda das populações locais. “A gente precisa entender que esse é um processo”, explicou. Para Paula Nunes, advogada e assessora da Conectas Direitos Humanos destacou que os interesses na forma de estruturação desses projetos, muitas vezes, são antagônicos. Segundo ela, a falta da devida consulta e do consentimento livre, prévio e informado das comunidades é um dos problemas mais sérios. “Principalmente num país como o Brasil que tem comunidades que ocupam as terras há muitos anos e que precisam ser respeitadas em seus processos de escolha”, observou. Para isso, as instituições financeiras que financiam os grandes projetos precisam controlar esses processos, em diálogos com a sociedade civil. “As organizações precisam aproveitar esse espaço e pensar nele como um lugar de facilitação do diálogo entre comunidades atingidas e as instituições financeiras.” Dion Monteiro, do Movimento Xingu Sempre Vivo, ressaltou que, para discutir o financiamento de infraestrutura, é preciso perguntar a quem esses projetos atendem. “É uma infraestrutura para atender à qual modelo? Não adianta o banco adotar critérios se é um projeto de destruição. Porque aí, toda a discussão de salvaguarda não tem efeito”, afirmou. Ele lembrou que a energia gerada por Belo Monte, por exemplo, não serve às comunidades e aos povos que vivem nos arredores da usina. “A discussão precisa levar em conta todos os seres vivos, as pessoas e a natureza”, afirmou. É uma mudança de paradigma necessária para que os projetos façam sentido para todos. Ciclo WebGTInfra O debate é o quarto encontro público do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros. O objetivo é promover reflexões sobre sustentabilidade tendo sempre a infraestrutura como norte.

Papel dos bancos em renovação econômica é tema de webinário

Responsabilidade Socioambiental será centro do debate nesta quarta-feira (30/9) Os especialistas na área são unânimes ao afirmar que a recuperação econômica do Brasil no pós-pandemia precisa ser verde. As maiores potências do mundo já anunciaram publicamente que esse é o caminho pelo qual será construída a economia do futuro. Mas, quais são as tendências de financiamento da infraestrutura e quem são os atores envolvidos? Os bancos de desenvolvimento são fundamentais para viabilizar as estratégias de renovação verde da economia, não só no Brasil como também nos outros países da América Latina. As políticas de salvaguardas e gestão de impactos socioambientais, as mudanças climáticas e objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS) e as estratégias alternativas para essa nova economia serão assuntos no webinário “Renovação Econômica e Responsabilidade Socioambiental de Bancos e outras Instituições Financeiras”, realizado pelo GT Infraestrutura e parceiros nesta quarta-feira (30/9), às 16h, via Zoom. As inscrições podem ser feitas até uma hora antes do evento, no link. Convidados O debate será moderado pela Assessora Política do Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), Livi Gerbase, e os convidados são: César Gamboa, Diretor Executivo, Derecho, Ambiente y Recursos Naturales (DAR) Peru; Carolina Juaneda, Coordenadora para América Latina, Bank Information Center (BIC); Paula Nunes, Conectas Direitos Humanos; Dion Monteiro, Movimento Xingu Sempre Vivo. Ciclo WebGTInfra O debate é o quarto encontro público do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros, pensado para promover reflexões sobre sustentabilidade tendo sempre a infraestrutura como norte. A intenção é que os encontros sempre tratem do assunto priorizando a visão inclusiva das comunidades e populações da Amazônia.

Transição energética justa, inclusiva e de baixo carbono é possível

Para isso, especificidades regionais precisam ser consideradas. Plano Nacional de Energia 20250 está em fase de consulta pública até 13 de outubro Vivemos um momento decisivo para a transição energética no Brasil e temos condições favoráveis para que ela seja justa, inclusiva e de baixo carbono, especialmente no que diz respeito à matéria-prima para a produção de energia limpa. Esse foi o assunto do terceiro encontro aberto do Ciclo WebGTInfra, que teve como tema Plano Nacional de Energia 2050: apontamentos para o desenvolvimento energético regional, realizado nesta quarta-feira (16/9). Elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a partir de diretrizes do pelo Ministério de Minas e Energia, o PNE 2050 está em fase de consulta pública. Esse é o mais importante documento de planejamento de longo prazo do setor no país e conhecê-lo melhor é importante para que a sociedade civil possa participar do debate de forma qualificada. “O plano pode ser entendido como um instrumento vivo, que dialoga com distintas possibilidades e ambientes de incerteza, introduziu a moderadora do evento Alessandra Mathyas, do WWF-Brasil. Para ela, uma visão de longo prazo é algo da maior relevância em momentos como esse, de forma a auxiliar na ancoragem de expectativas.” Thiago Barral, presidente da EPE, explicou para o público como o documento foi construído. “Embora tenha esse nome de plano, ele é muito mais uma estratégia para nos guiar nas decisões do dia-a-dia, com um olhar a longo prazo.” Segundo ele essas definições precisam ser feitas durante a fase de implementação, que é a que estamos vivendo agora. “Não trabalhamos com um único cenário, o que queremos é evitar arrependimentos, fazendo escolhas equivocadas que possam custar caro para a sociedade brasileira”, afirma, explicando que o PNE não crava a matriz final do futuro, mas pontua possibilidades. “O nosso futuro será renovável”, afirmou. “Se queremos desenhar uma estratégia para o país, precisamos saber qual é o objetivo dela”, destacou o presidente da EPE. Thiago elencou os quatro principais objetivos do plano construído: impactos ambientais, desenvolvimento socioeconômico, segurança energética e competitividade. A intenção, segundo ele, é conseguir um equilíbrio entre eles, mapeando as nossas forças, como ter várias possibilidades de energia limpa, mas também nossas vulnerabilidades. Para isso, ele lembrou que governo, empresas e sociedade precisam convergir em torno de questões fundamentais. Que modelo de desenvolvimento é esse? O GT Infraestrutura acredita que essa construção precisa levar em conta as comunidades e, por isso, elas também foram ouvidas nesse encontro. Representante do Comitê Hidrológico Paraná III, Armin Feiden, falou sobre as especificidades da região oeste do Paraná, pontuando os problemas que a região enfrenta para a produção de energia limpa. “O plano é um avanço, mas corremos o risco de que a aplicação dele acabe não atingindo os objetivos”, afirmou. Para ele, sociedade civil e autoridades precisam fiscalizar para que as grandes obras sirvam também para atender às comunidades locais. Josefa de Oliveira Câmara da Silva, do Movimento Xingu Vivo e Conselho Ribeirinho de Belo Monte, contou sobre a experiência de viver em um território que foi escolhido pelo governo para receber uma grande obra. Segundo eles, a usina trouxe grandes impactos para quem vive na região, prejudicando as populações tradicionais, como ribeirinhos, indígenas e pescadores. “Nós não fomos ouvidos. Belo Monte está aí construída, gerando energia para outros estados, mas não para a nossas cidades e comunidades. Que modelo de desenvolvimento é esse? Ele não serve para as populações tradicionais”, ressaltou, lembrando que essas obras expulsam as comunidades de suas casas, matam as espécies e não trazem retorno para essas populações. Cleo Francelino Aquino, também do Conselho Ribeirinho de Belo Monte, mora em uma comunidade que fica a 20 minutos da hidrelétrica e não tem energia elétrica. Segundo ele, que mora na região o alagamento prejudicou suas condições de moradia, fonte de renda e ninguém foi consultado. “Eu mesmo, que sou acostumado a viver no rio, estou morando na cidade”, lamentou. Para ele, é essencial que a voz das populações regionais seja incluída no PNE 2050. A ideia do webinário é ajudar a embasar a elaboração de proposta conjunta à consulta pública e ajude a despertar novos rumos, bem como a devida atenção em torno de modelos, estratégias e políticas sociais adequadas e adaptadas à realidade e ao contexto das comunidades locais. Quem quiser contribuir com a consulta, pode acessar o site do Ministério de Minas e Energia até o dia 13 de outubro. Após a consulta, o documento será encaminhado para a apreciação do Conselho Nacional de Política Energética. Ciclo WebGTInfra O debate faz parte do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros, pensado para promover reflexões sobre sustentabilidade tendo sempre a infraestrutura como norte. Todos os debates da série estão disponíveis e podem ser assistidos a qualquer momento no Youtube GT Infra.

Plano Nacional de Energia 2050 precisa considerar desenvolvimento regional

Webinário vai embasar elaboração de uma proposta conjunta para orientar consulta pública O Plano Nacional de Energia (PNE) 2050 está em fase de consulta pública. O documento é um planejamento de longo prazo do setor energético do país e vai servir como um guia, com orientações governamentais para o futuro e deixam claro para investidores e setores produtivos quais caminhos o país deve seguir. Estamos falando de definições a longo prazo e esse é o momento para discutir como é possível pensar em uma transição energética para o Brasil que seja justa, inclusiva, de baixo carbono e leve em conta as especificidades das populações de cada região. O assunto é tema do próximo webinário do Ciclo WebGTInfra, que será realizado nesta quarta-feira (16/9), às 16h, no canal do Youtube. Elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a partir de diretrizes do pelo Ministério de Minas e Energia, o PNE 2050 precisa ser conhecido e debatido pela sociedade civil. Os efeitos das obras sempre aterrissam em territórios e, em geral, quem vive neles desconhece esses projetos. A ideia do webinário é, portanto, trazer para a EPE preocupações sentidas localmente a partir de grandes obras e pensar possíveis alternativas a esses problemas socioambientais historicamente vividos. A ideia é que esse webinário embase a elaboração de proposta conjunta à consulta pública e ajude a despertar novos rumos, bem como a devida atenção em torno de modelos, estratégias e políticas sociais adequadas e adaptadas à realidade e ao contexto das comunidades locais. Após a consulta, o documento será encaminhado para a apreciação do Conselho Nacional de Política Energética. Convidados O debate será mediado por Alessandra Mathyas, do WWF-Brasil, e participarão os seguintes convidados: Thiago Barral, presidente da EPE; Armin Feiden, do Comitê Hidrológico Paraná III; Josefa de Oliveira Câmara da Silva, do Movimento Xingu Vivo e Conselho Ribeirinho de Belo Monte; e Cleo Francelino Aquino, também do Conselho Ribeirinho de Belo Monte. Assim, além da visão técnica, o webinário pretende ser um espaço que dê destaque às preocupações das comunidades que vivem nos territórios que sofrerão os impactos dessa política. Ciclo WebGTInfra O debate é o terceiro público do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros, pensado para promover reflexões sobre sustentabilidade tendo sempre a infraestrutura como norte. A intenção é que os encontros sempre tratem do assunto priorizando a visão inclusiva das comunidades e populações da Amazônia. SERVIÇO O que: Ciclo WebGTInfra: Plano Nacional de Energia 2050: apontamentos para o desenvolvimento energético regional Quando: 16/9, 16h Onde: Youtube GT Infra Inscrições: no link

Pandemia precisa ser oportunidade para construir política de saúde na Amazônia

Especialistas ressaltam urgência de investimento em políticas sociais na região A saúde precisa estar no centro do debate para o desenvolvimento regional e a pandemia evidenciou o abismo infraestrutural da Amazônia em relação às outras do país. No Amazonas, 1º estado do país a colapsar e com número de casos crescente, o desafio da saúde ainda maior e discutir as causas e saídas para o problema foi o foco do debate no webinar “Sem social não tem ambiental: Saúde, Saneamento e as Políticas Sociais para o Desenvolvimento Regional”, realizado pelo GT Infraestrutura e parceiros, e moderado pela cantora e ativista do Tapajós,Cristina Caetano, no dia 2 de setembro. “Eu sempre disse que o apocalipse contemporâneo seria a pandemia, porque estamos gerando isso”, afirmou Eugênio Scannavino, que é médico e fundador do Projeto Saúde e Alegria. Segundo ele, a própria pandemia é consequência da forma como criamos animais e utilizamos agrotóxicos, por exemplo. “Nós estamos brincando de deus e de industrializar a natureza uma maneira arrogante e prepotente, que a gente chama de desenvolvimento”. Ele lembrou que existem outras alternativas de produção, como a agrofloresta, que respeita a natureza em seus processos, e que, neste momento, temos um alerta para olhar para o modelo de desenvolvimento que queremos. “Foi preciso uma pandemia para que as pessoas descobrissem que saúde é floresta porque sem saúde não tem floresta”, afirmou. O professor sênior da Faculdade de Medicina da USP, Marcos Boulos, também ressaltou que as pandemias não vêm do nada, mas da natureza e da forma como nos relacionamos com ela. Ele explicou sobre o comportamento do vírus e criticou o fato de o isolamento no Brasil não ter sido feito de maneira adequada. “O lockdown era fundamental para controlarmos a epidemia, o que não aconteceu, prolongando o problema.” O especialista, que trabalha na Amazônia desde a década de 70, manifestou a sua preocupação com a doença se espalhando para o interior da floresta e lembrou que o problema precisa ser olhado pelos governos com mais atenção. Soluções precisam olhar para as diferenças Eugênio Scannavino destacou que quando falamos de Amazônia precisamos olhar para as especificidades da região. “Em algumas cidades, a prefeitura disponibilizou exame drive thru, mas as pessoas não têm carro”, exemplificou. Ele contou que, como estratégias para minimizar o impacto da pandemia na região, o Saúde e Alegria mobilizou costureiras para fazer máscaras e conseguiu recursos para que o barco hospital, que atende no Rio Tapajós, prestasse atendimento aos infectados pelo Covid-19. Além disso, o projeto tem apoiado os profissionais da linha de frente, distribuindo kits de higiene e proteção familiar em larga escala, para evitar que mais pessoas sejam contaminadas. Para Eugênio, a estratégia agora precisa ser pensar no pós-pandemia, em condições estruturantes e institucionalizadas de saúde de maneira permanente. Marcos Boulos explicou que a economia também fica doente se a gente não investe em saúde. “A saúde é fundamental e tem que ser vista como tal porque pessoas precisam estar bem para tocar projetos”. O especialista também destacou que não devemos depositar as nossas expectativas somente na vacina, porque nenhuma vacina para vírus respiratório resolve o problema totalmente. “É necessário estabelecer uma política organizada para melhorar a assistência em lugares como a região do Tapajós, aparelhando os serviços de saúde”, concluiu. O debate completo pode ser acessado no canal do GT Infraestrutura no Youtube. Ciclo WebGTInfra O é o segundo para o público do Ciclo WebGTInfra, promovido pelo GT Infraestrutura e parceiros, para promover reflexões sobre sustentabilidade tendo sempre a infraestrutura como norte. A intenção é que os encontros sempre tratem do assunto priorizando a visão inclusiva das comunidades e populações da Amazônia. Foto: Saúde e Alegria

Webinário discute saúde, saneamento e políticas para desenvolvimento regional no Tapajós

Encontro será transmitido nesta quarta-feira, às 16h, pelo Youtube do GT Infraestrutura A pandemia do coronavírus endossou o debate em torno da necessidade de um modelo de desenvolvimento socioeconômico que priorize o patrimônio ambiental e social brasileiro. Pensando nisso e nos caminhos para a retomada econômica depois que a pandemia passar, o GT Infraestrutura lançou uma série de encontros online, o Ciclo WebGTInfra: Renovação Verde da Economia e Infraestrutura na Pós-Pandemia: oportunidades, riscos e desafios. O segundo encontro aberto da série, que será realizado no próximo dia 02/09, às 16h (horário de Brasília), terá como tema “Sem social não tem ambiental: Saúde, Saneamento e as Políticas Sociais para o Desenvolvimento Regional” com foco na região do Rio Tapajós. Diante de custos logísticos superiores a qualquer outra região do país, a conta jamais vai fechar sem a soma de esforços entre governos e instituições, bem como estratégias diferenciadas para que os serviços assistenciais alcancem principalmente as zonas mais remotas, com indicadores sociais bastante inferiores à média nacional. Por entender que, sem respostas às mazelas sociais da Amazônia, jamais vai se encaminhar soluções mais efetivas no enfrentamento também das mazelas ambientais (desmatamento, exploração predatória, contaminação dos rios, etc), tampouco caminhos para o dito Desenvolvimento Regional Sustentável, vimos propor essa reflexão como um dos debates para a série de Webinários do Tapajós. A partir das lições apreendidas com os impactos da pandemia de covid-19 na região, espera-se que essa reflexão possa despertar novos rumos, bem como a devida atenção em torno de modelos, estratégias e politicas sociais adequadas e adaptadas à realidade e ao contexto amazônico. SERVIÇO “Sem social não tem ambiental: Saúde, Saneamento e as Políticas Sociais para o Desenvolvimento Regional” . Data e hora: 02/09, às 16h (horário de Brasília). Palestrantes convidados: – Cristina Caetano, cantora e ativista local – Eugênio Scannavino é médico e fundador do Projeto Saúde e Alegria – PSA – Marcos Boulos, livre docente da USP em doenças infecciosas. Inscrições aqui.